
A Antártida pode registrar um aquecimento 1,4 vez mais rápido do que o restante do Hemisfério Sul nas próximas décadas, segundo um novo estudo baseado em modelos climáticos. A projeção indica que o fenômeno, chamado de amplificação antártica, pode ganhar força caso a temperatura global atinja 2 °C acima dos níveis pré-industriais.
Atualmente, o planeta já aqueceu cerca de 1,1 °C, e a tendência é de aceleração. De acordo com o estudo, esse patamar de 2 °C pode ser alcançado por volta de 2050, ou até 2040, dependendo do ritmo das emissões. Nesse cenário, o aquecimento mais intenso na Antártida pode contribuir para a elevação do nível do mar e afetar ecossistemas polares.
O estudo aponta que a amplificação antártica ainda não foi observada diretamente, mas há indícios de que pode emergir nas próximas décadas. Diferentemente do Ártico, onde o principal mecanismo é o efeito de gelo-albedo, na Antártida o aquecimento tende a ser impulsionado principalmente pela liberação de calor do oceano ao redor do continente.
Historicamente, a região foi parcialmente protegida por correntes oceânicas e atmosféricas que limitavam o avanço do calor. No entanto, esse cenário começou a mudar. Entre 2014 e 2016, a Antártida perdeu uma quantidade de gelo marinho comparável à redução registrada no Ártico ao longo de quatro décadas, e os níveis seguem baixos, com destaque para o inverno de 2023.
Os efeitos das mudanças já são observados, mesmo antes da amplificação se estabelecer completamente. Cientistas registraram quedas acentuadas no gelo marinho na última década e falhas reprodutivas em pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri), associadas ao derretimento.
Segundo o climatologista Ariaan Purich, da Monash University, as mudanças recentes indicam uma transição rápida no comportamento do continente. “Estamos vendo mudanças abruptas acontecendo na Antártida, em taxas muito rápidas”, afirmou ao Live Science.
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