Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Gwada-negativo: entenda o tipo sanguíneo mais raro do mundo

Gwada-negativo: entenda o tipo sanguíneo mais raro do mundo

Um novo tipo sanguíneo extremamente raro, identificado em uma paciente da ilha de Guadalupe, tem chamado atenção da comunidade médica. Batizado de Gwada-negativo, ele é resultado de uma mutação genética até então desconhecida e já foi reconhecido como o 48º sistema sanguíneo oficialmente aceito pela Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue.

A descoberta foi comentada pelos pesquisadores Martin L. Olsson e Jill Storry, da Universidade de Lund, em artigo publicado no The Conversation. Especialistas em medicina transfusional, os dois explicam como esse novo grupo sanguíneo foi identificado por cientistas franceses, após um caso incomum de incompatibilidade em testes de transfusão.

Essa mutação genética impede a formação completa de uma molécula chamada GPI (glicosilfosfatidilinositol), resultando em uma alteração estrutural nas células vermelhas do sangue. Isso gera um novo antígeno, ou seja, uma nova assinatura molecular que define o grupo sanguíneo. Assim, pessoas com o antígeno são classificadas como Gwada-positivas; quem não o possui, como Gwada-negativas.

“Usando tecnologia de edição genética, a equipe confirmou a descoberta recriando a mutação em laboratório”, relataram Olsson e Storry. O experimento comprovou que todos os doadores testados eram Gwada-positivos, enquanto a paciente de Guadalupe segue sendo a única pessoa identificada como Gwada-negativa até o momento.

O novo tipo sanguíneo não é apenas uma curiosidade laboratorial. A paciente apresenta deficiência intelectual leve e já perdeu dois bebês ao nascer, o que levanta a hipótese de que esses efeitos estejam ligados à mutação no gene PIGZ. Os autores lembram que mutações em outros genes associados à produção de GPI já foram relacionadas a transtornos neurológicos e natimortos.

“Ainda não é possível afirmar se a mutação do PIGZ está diretamente ligada a esses sintomas, mas ela representa uma peça importante nesse quebra-cabeça genético”, destacam os pesquisadores no artigo.

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