Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Visitante interestelar que cruza o Sistema Solar é o maior já visto

Visitante interestelar que cruza o Sistema Solar é o maior já visto

Imagens inéditas capturadas pelo Observatório Vera C. Rubin, nos Andes chilenos, revelaram detalhes impressionantes sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS. Com aproximadamente 11,2 quilômetros de diâmetro, ele é agora considerado o maior objeto interestelar já observado pela ciência. A descoberta reforça a capacidade do novo telescópio, que ainda está em fase de preparação para sua missão oficial, prevista para começar até o fim de 2025.

As imagens foram feitas no dia 21 de junho, dez dias antes da descoberta oficial do cometa, ocorrida em 1º de julho. Segundo os pesquisadores, o registro anterior demonstra o potencial do observatório para detectar visitantes cósmicos que atravessam nosso sistema solar em alta velocidade. O 3I/ATLAS, por exemplo, viaja a mais de 210 mil km/h em direção ao Sol.

Até então, os cientistas sabiam apenas que a coma do cometa — a nuvem de poeira, gelo e gás que envolve seu núcleo — podia alcançar até 24 km de largura. No entanto, o tamanho do núcleo permanecia incerto. A análise recente dos dados do Vera C. Rubin permitiu estimar um raio de cerca de 5,6 km, o que indica um diâmetro total de aproximadamente 11,2 km. A margem de erro é de cerca de 0,7 km.

Com isso, o 3I/ATLAS supera os dois únicos objetos interestelares confirmados anteriormente: o asteroide ‘Oumuamua, com cerca de 0,4 km de largura, observado em 2017, e o cometa 2I/Borisov, com núcleo estimado em 1 km, identificado em 2019. Ambos geraram grande interesse da comunidade científica, mas nenhum deles apresentou dimensões comparáveis às do novo visitante.

Simulações indicam que o 3I/ATLAS pode ter se formado até 3 bilhões de anos antes da Terra, o que o colocaria como o cometa mais antigo já registrado. A análise também confirma sua composição natural, afastando teorias mais controversas de que se trataria de uma sonda enviada por civilizações avançadas. Os dados revelam grandes quantidades de gelo de água e poeira ao redor de seu núcleo, características típicas de cometas.

O estudo foi publicado no repositório científico arXiv no dia 17 de julho, com a participação de mais de 200 pesquisadores. O Observatório Vera C. Rubin, que abriga a maior câmera digital do mundo e prepara uma missão de dez anos para mapear o céu do Hemisfério Sul — o chamado Legacy Survey of Space and Time (LSST).

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