Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Segredo descoberto nas geleiras de Marte pode ajudar na colonização do planeta

Segredo descoberto nas geleiras de Marte pode ajudar na colonização do planeta

Durante décadas, cientistas observaram geleiras cobertas de poeira nas encostas de Marte. No entanto, não sabiam ao certo do que elas eram feitas. Algumas pesquisas sugeriam que eram compostas essencialmente por rochas com pouco gelo. Outras apontavam para uma mistura com grande quantidade de detritos.

Uma das dificuldades era a comparação entre os estudos. Técnicas diferentes foram aplicadas em regiões distintas de Marte, o que impedia conclusões claras. Para resolver essa incerteza, um trio de pesquisadores de Israel, Canadá e EUA utilizou um radar chamado SHARAD, instalado na sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da NASA.

Esse radar consegue identificar o que há abaixo da superfície do planeta. Ele mede como as ondas se comportam ao atravessar os materiais – quanto mais rápido e direto o sinal, mais puro é o gelo. A equipe analisou cinco regiões marcianas com esse método.

Em um artigo publicado na revista Icarus, o israelense Yuval Steinberg, o canadense Isaac B. Smith e o estadunidense Oded Aharonson revelam que as geleiras espalhadas por Marte podem ser fontes de água para futuros exploradores do planeta. Isso porque, segundo o estudo, elas são compostas principalmente por gelo quase puro, o que pode facilitar a permanência humana no local.

O resultado foi surpreendente: em todos os pontos observados, as geleiras apresentaram alto nível de pureza. Em média, elas são compostas por pelo menos 80% de gelo, coberto por uma camada fina de poeira ou rocha. Essa consistência indica que essas geleiras podem ser mais comuns do que se pensava.

De acordo com um comunicado, outra descoberta importante é que a composição das geleiras era semelhante mesmo em lados opostos do planeta. Isso sugere que o gelo se formou em condições parecidas em diferentes regiões, o que ajuda a entender o clima marciano no passado.

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