Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Águas-vivas invadem usina nuclear na França e paralisam reatores

Águas-vivas invadem usina nuclear na França e paralisam reatores

Uma usina nuclear no norte da França retomou parte de suas operações na quarta-feira (13) após um incidente inusitado: uma invasão de águas-vivas. A instalação de Gravelines, localizada perto de Dunquerque, é a maior da Europa Ocidental, com seis reatores de 900 megawatts cada.

No domingo (10) e na segunda-feira (11), quatro deles precisaram ser desligados quando um enorme cardume de águas-vivas bloqueou as bombas responsáveis pelo resfriamento. Segundo a operadora EDF, o reator número 6 foi religado às 7h30 da manhã de quarta, e os demais devem voltar a funcionar nos próximos dias.

Segundo a agência de notícias Reuters, a retomada ocorreu com atraso em relação ao previsto, já que o plano inicial era reiniciar as operações na terça-feira (12). A EDF não informou o motivo do adiamento, mas a França enfrenta uma onda de calor que pressiona sistemas de resfriamento nuclear. A empresa garantiu que não houve risco à segurança, aos trabalhadores ou ao meio ambiente.

As águas-vivas eram da espécie Rhizostoma pulmo (água-viva de barril), nativa e sem ferrão, que pode atingir até 90 centímetros de diâmetro. Segundo o cientista cidadão Aäron Fabrice de Kisangani, as correntes marítimas empurraram os animais para dentro do canal que leva à usina. Presas pela sucção do sistema de refrigeração, elas acabaram bloqueando os filtros de entrada de água.

Especialistas apontam que o aumento das temperaturas médias do mar pode favorecer a proliferação de águas-vivas e prolongar sua presença no Mar do Norte, especialmente devido a outonos e invernos mais amenos.

Casos semelhantes já aconteceram antes. Em 2011, a usina de Torness, na Escócia, foi obrigada a interromper atividades pelo mesmo motivo. A própria Gravelines já havia enfrentado uma invasão de águas-vivas em 1993. Também há registros de ocorrências em usinas no Japão e nos EUA. Pesca excessiva, poluição plástica e mudanças climáticas estão entre os fatores que criam condições ideais para o aumento dessas populações marinhas.

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