Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Terremotos extremos desafiam modelos atuais de previsões

Terremotos extremos desafiam modelos atuais de previsões

Um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences aponta que terremotos podem ser mais imprevisíveis do que se pensava. A pesquisa analisou o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu Mandalay, em Mianmar, em março deste ano, matando milhares de pessoas e provocando tremores em países vizinhos.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos EUA, analisaram imagens de satélite da região antes e depois do terremoto para entender como falhas geológicas podem se comportar. Eles observaram que o abalo ocorreu ao longo de 510 km da Falha de Sagaing, a maior ruptura continental já documentada, muito além das estimativas anteriores de 300 km.

Essa diferença mostra que rupturas em falhas podem liberar mais tensão acumulada do que se imaginava. A teoria da lacuna sísmica, que tenta prever onde a falha pode ceder, não explica totalmente esses eventos. Mesmo trechos que ficam silenciosos por centenas de anos podem gerar terremotos mais fortes e extensos do que modelos simples sugerem.

A Falha de San Andreas, na Califórnia, é parecida com a Falha de Sagaing, com centenas de quilômetros de extensão e movimento lateral. Os cientistas afirmam que os novos dados de Mandalay podem ajudar a melhorar as previsões para o próximo “Big One” no estado. Modelos atuais de risco sísmico se baseiam em estatísticas de terremotos passados, sem considerar o estado real da falha em cada momento.

Esses modelos calculam a probabilidade de um tremor acontecer em uma região nos próximos 30 anos, mas não ajustam essas previsões de acordo com quais partes da falha estão bloqueadas ou acumularam mais tensão. Por isso, eles não conseguem indicar exatamente quando e onde um grande terremoto pode ocorrer.

“Rupturas sucessivas de uma mesma falha, mesmo tão simples quanto as falhas de Sagaing ou San Andreas, podem ser muito diferentes e liberar ainda mais do que o déficit de deslizamento desde o último evento”, afirma Jean-Philippe Avouac, professor do Caltech e especialista em geomecânica, em um comunicado. Segundo o especialista, isso torna futuros terremotos mais intensos e extensos, mesmo em falhas aparentemente simples.

Compartilhe