
O posicionamento do governo dos Estados Unidos a favor da concessão de licenças para empresas norte-americanas explorarem o fundo do mar reacendeu uma importante discussão. A mineração destes locais deve ser permitida?
De um lado, existe a pressão econômica em função da cada vez maior demanda por minerais usados em diversos produtos tecnológicos e presentes em grandes profundidades. Do outro, cientistas alertam para riscos ambientais incalculáveis.
Embora as pesquisas sobre os impactos ecológicos da mineração em alto mar ainda sejam limitadas, estudos apontam que ela pode causar sérios prejuízos à vida marinha. Alguns animais podem ser esmagados pelas máquinas ou sufocados pelos sedimentos que são expelidos pelas atividades de mineração.
Além disso, cientistas descobriram que espécies como as águas-vivas também estão em risco. Um dos maiores temores é que o processo de extração simplesmente destrua comunidades inteiras, gerando danos irreversíveis para a vida marinha. Por isso, ambientalistas afirmam que não é possível realizar a mineração do fundo do mar de forma totalmente segura.
Em 2024, 32 países declararam oposição à mineração do fundo do mar, incluindo Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, México, Suécia, Dinamarca e Áustria. A maioria pediu uma pausa preventiva de qualquer operação do tipo até que todos os riscos sejam conhecidos, mas alguns países, incluindo a França, proibiram totalmente a prática. No entanto, algumas decisões favoráveis à exploração, como nos EUA, pode acabar incentivando outros governos a tomarem medidas parecidas.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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