
Micrometeoritos podem ser minúsculos, mas carregam pistas valiosas sobre a história da Terra e a evolução da vida. Diferentemente dos meteoritos, seus “irmãos maiores” que costumam ocupar vitrines em museus, esses grãos cósmicos passam despercebidos, embora, todos os dias, cerca de 50 toneladas de poeira espacial caiam em nosso planeta, quase sempre em partículas invisíveis a olho nu.
Em um artigo publicado recentemente na revista Communications Earth and Environment, pesquisadores descrevem análises de micrometeoritos fossilizados que chegaram à Terra há milhões de anos.
Liderados por Fabian Zahnow, geoquímico de isótopos da Universidade do Ruhr, em Bochum, na Alemanha, cientistas extraíram traços de oxigênio atmosférico incorporados a essas partículas durante a travessia do espaço até o solo e estimaram que os níveis de dióxido de carbono (CO₂) no passado eram próximos aos de hoje.
Em vez de recolher amostras recentes em telhados ou lagos, eles decidiram olhar para o passado profundo. A equipe examinou mais de 100 kg de rochas sedimentares da Europa e identificaram 92 micrometeoritos ricos em ferro. Para completar o conjunto, foram incluídos outros oito de coleções pessoais, totalizando 100 espécimes, usados como cápsulas do tempo.
Durante a passagem pela atmosfera, essas partículas derretem e oxidam, absorvendo oxigênio do ar, que fica preso na estrutura do grão e permanece preservado por milhões de anos. Assim, ao analisar o material, os cientistas conseguem acessar informações diretas sobre a atmosfera antiga.
O segredo está nos isótopos de oxigênio, versões diferentes do mesmo elemento. As proporções entre os isótopos 16O, 17O e 18O se relacionam com a fotossíntese e a quantidade de CO₂ disponível em determinado período. Cruzando esses dados com simulações de modelos, a equipe de Zahnow conseguiu reconstruir aspectos da atmosfera terrestre de eras passadas.
Entre para comentar.