
Pesquisadores criaram um método para detectar o misterioso efeito Unruh, um fenômeno no encontro da Teoria da Relatividade, concebida por Albert Einstein, com a física quântica. Capaz de auxiliar em estudos futuros e em novas tecnologias, essa proposta foi apresentada na revista científica Physical Review Letters em julho.
Segundo os cientistas, o efeito Fulling-Davies-Unruh é um conceito teórico que une o mundo micro e o macro da física. Na teoria quântica, o vácuo fervilha com flutuações de energia, onde partículas e antipartículas desaparecem e reaparecem.
O efeito mostra que essas “ondulação do vácuo” são percebidas a depender do movimento de quem as observa. Um observador parado não percebe nada, mas, em aceleração, enxerga essas flutuações como partículas reais com uma distribuição de energia térmica, chamada pelos especialistas de “calor quântico”. Detectar esse fenômeno ajudaria a aproximar a relatividade da mecânica quântica e traria novas pistas sobre a própria natureza do espaço-tempo.
Porém, essa não é uma tarefa simples. “O problema central tem sido as acelerações extraordinariamente grandes, da ordem de 1020 m/s², necessárias para tornar esse efeito detectável, tornando sua observação praticamente impossível com a tecnologia atual, pelo menos em sistemas de aceleração linear”, explicou Haruna Katayama, líder do estudo e professora assistente na Universidade de Hiroshima, em um comunicado.
Para detectar o efeito Unruh, o grupo propôs um método inédito. A ideia é usar junções Josephson, componentes de supercondutores já comuns em experimentos de física quântica, para criar pares conhecidos como fluxon e antifluxon.
Quando dispostos em estruturas circulares, esses pares se movem em órbitas minúsculas, gerando acelerações mais intensas do que seria possível em laboratórios convencionais. Esse movimento extremo poderia tornar visível o peculiar efeito.
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