
Em 2006, o distante e gelado Makemake, descoberto um ano antes no Cinturão de Kuiper, foi oficialmente reconhecido pela União Astronômica Internacional (IAU) e logo se tornou peça-chave em um debate histórico. Ao lado de outros corpos com dimensões semelhantes às de Plutão, ele ajudou a “matar” o status até então estabelecido do vizinho mais famoso.
Sua existência mostrou que havia vários objetos comparáveis, forçando os astrônomos a adotar critérios mais rigorosos para classificar um corpo celeste e a criar a categoria “planeta anão”.
Quase duas décadas depois, uma equipe de cientistas acaba de fazer uma descoberta surpreendente sobre esse enigmático astro, que continua a desafiar o conhecimento sobre os planetas anões do Sistema Solar.
Segundo relata um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, já aceito para publicação pelo periódico científico The Astrophysical Journal Letters, foi detectado metano em Makemake – o que faz dele apenas o segundo objeto situado além da órbita de Netuno a ter presença de gás, depois de Plutão.
A descoberta foi feita por uma equipe liderada pelo Southwest Research Institute (SwRI) usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA. Em um comunicado, Silvia Protopapa, astrofísica do SwRI e autora principal do estudo, conta que o equipamento revelou metano em fase gasosa acima da superfície de Makemake, um dos maiores e mais brilhantes mundos transnetunianos.
“Isso torna Makemake ainda mais fascinante”, diz a cientista, acrescentando que isso mostra que o planeta anão não é apenas um fragmento congelado do Sistema Solar, mas um corpo dinâmico, onde o gelo de metano ainda passa por mudanças.
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