Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Lua de Saturno tem todos os ingredientes para a vida

Lua de Saturno tem todos os ingredientes para a vida

Um estudo publicado nesta quarta-feira (1) na revista Nature Astronomy confirma que moléculas orgânicas complexas detectadas nas plumas de Encélado, lua de Saturno, se originam diretamente de um oceano subterrâneo.

A conclusão vem de uma nova análise de dados coletados em 2008 pela sonda Cassini, uma colaboração entre a NASA, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Italiana (ASI), que atravessou jatos de vapor d’água e gelo expelidos por fontes termais conhecidas como “gêiseres” e foi atingida por grãos extremamente rápidos – e, portanto, recém-formados.

O objetivo dessa nova pesquisa era resolver um debate que já dura duas décadas: se esses compostos eram criados no anel E de Saturno pela radiação solar ou se tinham origem no oceano oculto sob a crosta gelada da lua, o que apontaria para um ambiente potencialmente habitável.

Encélado abriga um oceano global sob uma crosta de gelo, descoberto há cerca de 20 anos pela própria Cassini. Esse oceano se conecta ao espaço por fraturas conhecidas como Listras de Tigre, no polo sul, de onde jatos de vapor d’água e gelo são lançados periodicamente, alimentando o anel E de Saturno.

Em análises anteriores, cientistas já haviam encontrado moléculas orgânicas e até compostos considerados prebióticos – blocos de construção de aminoácidos e, por extensão, de proteínas. Permanecia, porém, uma dúvida: essas moléculas seriam forjadas no anel E sob intensa radiação solar, produzidas na superfície da lua e então arrastadas para as plumas, ou viriam diretamente do oceano?

Em 2008, a Cassini atravessou uma pluma e seu Analisador de Poeira Cósmica (CDA) foi atingido por grãos de gelo a cerca de 18 km/s, os mais rápidos e “frescos” já medidos pela missão. 

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