Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Transição energética deveria ser ensinada nas escolas, defende especialista

Transição energética deveria ser ensinada nas escolas, defende especialista

A transição energética consiste na mudança de sistemas baseados em combustíveis fósseis para um modelo mais sustentável, priorizando fontes renováveis como solar e eólica. Este processo é considerado fundamental para combater as mudanças climáticas.

No entanto, essa importante alteração não depende apenas de infraestrutura ou inovação tecnológica. Ela exige também compreensão, engajamento e uma mudança de comportamento da sociedade, o que começa pela educação das pessoas.

Alexandre Beluco afirma que quando bairros, escolas e associações locais passam a gerar e gerenciar sua própria eletricidade, o sistema deixa de ser opaco e distante. Ele se torna visível, compreensível e, acima de tudo, compartilhado. Ele cita que projetos como Procel Educação, da Eletrobras, e Energia que Transforma, do Instituto Ideal, mostraram que escolas públicas podem ser espaços estratégicos para essa formação.

Quando alunos aprendem sobre eficiência energética, fontes renováveis e impactos ambientais, eles não apenas mudam hábitos — eles influenciam suas famílias, seus bairros e suas comunidades. A energia, nesse contexto, deixa de ser um conceito abstrato (e se afasta também de interpretações míticas) e passa a ser parte da vida cotidiana. É nesse encontro entre conhecimento e território que se constrói uma “cidadania energética”: ativa, crítica e comprometida com o futuro.

O pesquisador observa que isso significa alunos que monitoram o consumo da escola, moradores que discutem eficiência energética em assembleias, vizinhos que decidem juntos sobre investimentos em infraestrutura. A energia, nesse contexto, vira assunto público. E a descentralização se revela como uma ferramenta de formação cidadã, capaz de fortalecer vínculos, ampliar o protagonismo local e democratizar decisões que antes estavam restritas a poucos.

Quanto mais próximo o consumidor estiver da lógica do sistema, maior será sua capacidade de contribuir para o equilíbrio e a eficiência. A descentralização, nesse sentido, não é só uma questão técnica: ela é pedagógica. Ao popularizar conceitos como geração distribuída, prosumidor, eficiência energética e comunidades energéticas, criamos condições para que a sociedade participe ativamente da transição. É no consumo consciente, na gestão local e na apropriação dos saberes energéticos que as energias renováveis encontram sua verdadeira potência. 

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