
Um estudo publicado este mês na revista Physics of the Earth and Planetary Interiors confirma que a Anomalia do Atlântico Sul (SAA) – área de campo magnético mais fraco entre a América do Sul e a África – continua a se expandir e enfraquecer.
Com base em dados dos três satélites da missão Swarm (Enxame, em português), da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas observaram que a SAA aumentou desde 2014 para uma área quase tão grande quanto toda a Amazônia brasileira, sinal de que processos profundos no interior da Terra podem alterar o campo magnético em escalas de tempo de poucos anos.
A relevância da descoberta está no fato de que esse “escudo” natural protege o planeta da radiação espacial e influencia atividades em órbita e na aviação.
O campo magnético da Terra nasce do dínamo no núcleo externo – um oceano de ferro líquido em rotação e convecção que converte energia de movimento em magnetismo. Esse campo se estende ao espaço, desvia partículas carregadas, ajuda a preservar a atmosfera e reduz a radiação que atinge a superfície.
Ao longo das eras, sua intensidade varia e, às vezes, ocorrem inversões de polaridade. Embora tais oscilações não representem risco direto à vida na superfície, os efeitos tecnológicos e operacionais são concretos e justificam atenção.
Os novos resultados mostram que a SAA é mais complexa do que se imaginava. “A SAA não é apenas um bloco único”, afirma Chris Finlay, geofísico da Universidade Técnica da Dinamarca, em um comunicado. “Ela está mudando de forma diferente em direção à África do que perto da América do Sul. Há algo especial acontecendo nesta região que está fazendo com que o campo se enfraqueça de forma mais intensa.”
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