Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Como pesquisadores descobrem sexo e idade de esqueletos? Entenda

Como pesquisadores descobrem sexo e idade de esqueletos? Entenda

Determinar sexo e idade de esqueletos é um dos maiores desafios da arqueologia e da ciência forense. Quando os ossos são descobertos, eles se tornam uma espécie de arquivo biológico no qual a estrutura óssea revela pistas sobre quem foi aquela pessoa, quantos anos viveu e até como morreu. Embora pareça algo saído de um filme policial, a metodologia é técnica, minuciosa e baseada em décadas de pesquisa comparativa.

Essas descobertas ajudam a reconstruir histórias individuais e coletivas. Saber o sexo e a idade de esqueletos, por exemplo, é essencial para identificar vítimas de desastres, entender padrões de saúde de civilizações antigas ou mesmo solucionar crimes modernos. Por isso, entenda como os pesquisadores fazem isso e o quão preciso, ou limitado, pode ser o processo.

A principal pista está nos ossos pélvicos e cranianos, que concentram as diferenças biológicas entre homens e mulheres. A pelve é considerada o osso mais informativo, pois ela permite uma precisão de até 95% na identificação do sexo.

Mulheres tendem a ter arcos púbicos mais largos e cavidades maiores para o parto, enquanto homens apresentam estruturas mais estreitas e ossos púbicos mais altos. Quando a pelve está danificada, os cientistas analisam o crânio, mandíbula, fêmur e tíbia, usando fórmulas matemáticas baseadas em médias populacionais.

A idade, no entanto, é estimada pela fusão das epífises ósseas (nas extremidades dos ossos longos) em jovens e pela degeneração natural dos ossos e dentes em adultos. Os pesquisadores também observam o desgaste da articulação entre o quadril e o fêmur e a textura do osso ilíaco. Ainda assim, mesmo com técnicas avançadas, há sempre margem de erro, que pode variar de 5% a 20%, dependendo do estado de conservação e do contexto biológico do indivíduo.

Com o avanço da biotecnologia, o DNA antigo se tornou uma ferramenta essencial. A análise genética, quando possível, oferece precisão de até 99% na identificação do sexo, através da verificação de marcadores cromossômicos e genes ligados à produção de esmalte dentário. No entanto, o DNA se degrada com o tempo, o que nem sempre permite resultados conclusivos em esqueletos muito antigos.

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