Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Fotógrafo captura duendes vermelhos e auroras com a Via Láctea ao fundo

Fotógrafo captura duendes vermelhos e auroras com a Via Láctea ao fundo

Um dos fenômenos atmosféricos mais raros já observados foi registrado pelo astrofotógrafo espanhol Dan Zafra, fundador da comunidade Capture the Atlas, na noite de 11 de outubro. Ele conseguiu capturar sprites vermelhos, também chamados de “duendes vermelhos”, alinhados com a Via Láctea Austral, em uma cena inédita captada nos Clay Cliffs, na Ilha Sul da Nova Zelândia.

Zafra relatou ao site EarthSky.org que estava acompanhado dos colegas José Luis Cantabrana e Tom Rae quando notou clarões fracos no horizonte, vindos de uma tempestade distante sobre os Alpes do Sul. Inicialmente, segundo ele, pareciam relâmpagos comuns, mas as imagens revelaram colunas de luz vermelha que se estendiam acima das nuvens: os misteriosos duendes vermelhos.

Esses fenômenos elétricos raríssimos ocorrem muito acima das tempestades convencionais, e duram apenas alguns milissegundos. Invisíveis a olho nu, são tão difíceis de presenciar que até caçadores de tempestades experientes podem passar anos sem vê-los. Na Nova Zelândia, onde os raios são incomuns, o registro foi considerado um evento excepcional.

“Red sprite” é a nomenclatura informal para Evento Luminoso Transitório (TLE). Ocorrências desse tipo foram relatadas por pilotos por décadas, mas o fenômeno só foi registrado pela primeira vez em julho de 1989. Esses eventos não costumam ser observáveis da superfície – e quando isso acontece, chegam a dar a impressão de uma força alienígena invasora.

Como os relâmpagos tradicionais, os “duendes vermelhos” chegam após um acúmulo de carga elétrica dentro das nuvens. Com eles, no entanto, a descarga ocorre na mesosfera da Terra, até 80 km acima da superfície. A exuberante cor vermelha se forma quando a carga encontra nitrogênio na atmosfera do planeta.

A coincidência dos elementos naturais tornou a imagem ainda mais impressionante. “O que tornou tudo ainda mais mágico foi como tudo se alinhou; os sprites estavam acontecendo bem ao lado do núcleo galáctico em formação. No mesmo quadro, eu podia ver a Via Láctea brilhando acima do horizonte enquanto enormes tentáculos vermelhos de luz dançavam acima de uma tempestade a centenas de quilômetros de distância”, relatou Zafra, que também conseguiu registrar resquícios da aurora austral e o cometa SWAN, visível ao ampliar as imagens próximas ao centro da galáxia.

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