
O cometa interestelar 3I/ATLAS tem despertado um grande interesse científico. Descoberto em julho deste ano, ele é considerado o terceiro grande “turista” vindo de fora do Sistema Solar. Sua passagem, extremamente veloz, levou o objeto a uma proximidade inédita da órbita de Marte, antes de atingir o ponto mais próximo do Sol, o que acontece nesta quarta-feira (29).
Originário de uma estrela desconhecida, a rocha espacial carrega em sua composição química pistas sobre a formação de mundos em cantos inexplorados da Via Láctea. Além disso, pode ajudar a proteger a Terra de asteroides perigosos
“A campanha terá como alvo o cometa 3I/ATLAS (C/2025 N1) para exercitar a capacidade da comunidade de observação de extrair astrometria precisa”, diz um aviso do projeto na última terça-feira (21) no Minor Planet Center, uma filial da União Astronômica Internacional que cataloga e rastreia pequenos objetos no espaço.
O 3I/ATLAS se distingue da maioria dos cometas “nativos” do nosso Sistema Solar devido à predominância de dióxido de carbono (CO2) em sua coma (a nuvem de gás que envolve o núcleo). A detecção, feita pelo James Webb, é incomum, mas não anômala. Já houve cometas no Sistema Solar que apresentaram concentrações até mais elevadas de CO2.
Essa composição sugere que o cometa se formou em um ambiente extremamente frio e distante de sua estrela hospedeira, com temperaturas e processos de formação planetária muito diferentes daqueles que deram origem à Terra e a Marte. O estudo desses ingredientes “virgens” é vital, pois permite comparar, de perto, os tijolos cósmicos de mundos que se formaram a bilhões de quilômetros de distância. Por isso, essa característica observada em um objeto interestelar chama a atenção dos astrônomos, que querem entender se o nosso Sistema Solar é a regra ou a exceção na galáxia.
Apesar de ser confirmado por astrônomos e agências espaciais como um cometa (dada sua atividade gasosa e cauda), o objeto alimentou especulações ousadas do astrofísico Avi Loeb, polêmico pesquisador da Universidade de Harvard. Ele notou que o corpo celeste é excepcionalmente grande, principalmente considerando as estimativas iniciais que sugeriam um núcleo com até 20 km.
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