
Um grupo internacional de cientistas descobriu um tipo de vidro cósmico. Formado por impacto de asteroide, ele só foi encontrado na Austrália. As pequenas esferas, batizadas de ananguites, se formaram há cerca de 11 milhões de anos. E revelam uma colisão até então desconhecida na história da Terra.
O achado, liderado por pesquisadores das universidades Curtin (Austrália) e Aix-Marseille (França), indica que o impacto foi poderoso o bastante para lançar fragmentos a milhares de quilômetros. Mas a cratera de origem ainda não foi encontrada.
O estudo foi publicado na edição de novembro da revista Earth and Planetary Science Letters. E ajuda a reescrever parte da história geológica da Terra.
Os ananguites pertencem a uma categoria rara de materiais chamados tektites, ou “vidros de impacto”. Eles se formam quando um asteroide atinge a superfície da Terra com tamanha força que parte do solo derrete instantaneamente e é lançada a grandes altitudes.
Ao esfriar durante a queda, esse material se transforma em pequenas esferas de vidro natural. É uma espécie de assinatura mineral de um impacto cósmico. Cada tektite guarda pistas químicas e isotópicas sobre o local e as condições nas quais o evento ocorreu.
Até agora, a ciência conhecia apenas cinco campos de tektites espalhados pelo mundo: na Europa, América do Norte, Costa do Marfim, América Central e na vasta área australásica, que cobre parte da Ásia e da Austrália.
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