
Um artigo publicado na terça-feira (14) no periódico científico The Astrophysical Journal Letters traz uma análise detalhada sobre a origem de objetos celestes muito massivos que ocupam a região intermediária entre planetas gigantes e estrelas de baixa massa.
O estudo utilizou observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, para investigar o objeto 29 Cygni b, um corpo com cerca de 15 vezes a massa de Júpiter que orbita uma estrela jovem em uma região distante do sistema, levantando dúvidas sobre qual mecanismo teria levado à sua formação.
Segundo o modelo mais aceito, a formação de planetas ocorre dentro de discos de gás e poeira que circundam estrelas recém-nascidas. Nesse ambiente, partículas sólidas se chocam e se unem gradualmente. Ao longo do tempo, esse processo constrói estruturas cada vez maiores, desde pequenos grãos até corpos rochosos e núcleos planetários.
Esse mecanismo é conhecido como acreção. Quando o núcleo cresce o suficiente, ele passa a atrair grandes quantidades de gás ao seu redor, formando planetas gigantes como Júpiter. No entanto, esse processo depende do tempo de vida do disco protoplanetário, que pode desaparecer antes que objetos extremamente massivos consigam se formar.
Por outro lado, estrelas surgem quando grandes nuvens de gás e poeira colapsam sob a própria gravidade, gerando regiões cada vez mais densas. Em alguns cenários, esses colapsos podem produzir fragmentos que evoluem separadamente. Uma hipótese alternativa é que algo semelhante possa ocorrer dentro de discos planetários, criando objetos muito massivos em regiões onde a acreção seria menos eficiente.
O objeto 29 Cygni b se encontra exatamente nesse limite entre os dois cenários. Com massa aproximadamente 15 vezes maior que a de Júpiter, ele é pesado o suficiente para desafiar definições tradicionais de planeta, mas ainda não atinge o nível típico de uma estrela. Sua órbita está a cerca de 2,4 bilhões de quilômetros da estrela hospedeira, uma distância comparável à órbita de Urano no Sistema Solar.
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