Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de novembro de 2025 · 3 min de leitura ·

Mancha solar tem surto de atividade e dispara jato de plasma canibal contra a Terra

Mancha solar tem surto de atividade e dispara jato de plasma canibal contra a Terra

Na manhã desta terça-feira (11), às 7h04 (pelo horário de Brasília), o conjunto de manchas solares AR4274 produziu uma poderosa erupção X5.2 – a terceira explosão de potência máxima registrada desde domingo (9) e a mais violenta deste ano, causando quase instantaneamente um apagão de rádio R3 (forte) sobre o sul da África e lançando uma ejeção de massa coronal (CME) prevista para atingir a Terra nas próximas horas.

Segundo a plataforma de monitoramento do clima espacial EarthSky.org, múltiplas CMEs originadas das recentes erupções dessa região estão viajando rumo ao planeta. Modelos indicam que elas podem se combinar em um “jato canibal” – quando uma ejeção mais rápida alcança outra mais lenta e se funde a ela, ampliando o impacto. Caso isso se confirme, a Terra poderá enfrentar uma tempestade geomagnética intensa, capaz de gerar auroras em latitudes mais baixas que o comum no norte do globo.

Nas últimas 24 horas, o Sol manteve uma atividade excepcionalmente alta. Além da grande erupção de classe X, foram registradas duas explosões de classe M (moderadas) e 25 de classe C (menores), totalizando 28 eventos – o dobro do dia anterior. Apenas duas delas não tiveram origem no grupo AR4274, uma das regiões mais ativas da superfície solar neste momento.

As duas CMEs de classe X lançadas por essa região no fim de semana devem se fundir e atingir a Terra nesta quarta-feira (12), podendo causar uma tempestade geomagnética de nível G3 – considerada forte em uma escala que vai de G1 a G5. Outras CMEs menores também estão a caminho e devem alcançar o planeta no sábado (15).

Tempestades geomagnéticas G3 podem provocar auroras em regiões onde normalmente não são vistas, mas seus efeitos vão além do espetáculo visual. Em sistemas de energia, podem ocorrer variações de tensão que exigem correções e acionam alarmes de proteção. Satélites em órbita baixa podem acumular carga em seus componentes, sofrer aumento do arrasto e precisar de ajustes de orientação para manter o funcionamento correto. Além disso, a navegação por satélite e a radionavegação de baixa frequência podem apresentar falhas intermitentes, enquanto comunicações por rádio HF podem ser interrompidas temporariamente.

Especialistas alertam que a atividade solar deve continuar elevada, já que a região AR4274 segue voltada para a Terra e apresenta grande instabilidade magnética. Há 75% de chance de novas erupções de classe M e 40% de uma nova explosão de classe X nos próximos dois dias. A região AR4276 também pode contribuir com erupções menores conforme evolui.

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