Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Astronautas “presos” reforçam necessidade de sistema internacional de resgate espacial 

Astronautas “presos” reforçam necessidade de sistema internacional de resgate espacial 

Conforme noticiado pelo Olhar Digital, os astronautas chineses Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jie, membros da missão Shenzhou-20, estão em órbita há mais de seis meses. A cápsula trazendo o trio deveria retornar à Terra na última quarta-feira (5), mas a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA) anunciou o cancelamento do pouso, sob suspeita de que a nave teria sido impactada por pequenos detritos espaciais, o que poderia tornar a viagem arriscada.

Nesta terça-feira (11), a CMSA publicou um comunicado breve sobre o status da tripulação. A agência afirmou que, seguindo os princípios de “vida e segurança em primeiro lugar”, medidas de emergência foram ativadas e os trabalhos seguem de forma organizada.

O comunicado, porém, não detalha qual problema a Shenzhou-20 enfrentou nem sua posição exata. Há especulações sobre um possível lançamento da cápsula Shenzhou-22, não tripulada, como substituta da nave danificada. Especialistas agora monitoram a situação e questionam o andamento do resgate.

Darren McKnight, especialista em detritos orbitais da LeoLabs, declarou ao site Space.com que a falta de transparência dificulta entender o que aconteceu. Ele destacou que a China costuma omitir informações para “não queimar cartucho”, mas lembra que o espaço é um ambiente coletivo, e a comunicação é importante para todos.

McKnight estuda há anos os impactos de detritos na órbita terrestre baixa, que podem prejudicar satélites e missões espaciais. Ele alerta que pequenas colisões podem ser sinais de problemas maiores, conhecidos como Síndrome de Kessler, quando detritos se multiplicam e aumentam o risco de acidentes no espaço.

Segundo o especialista, a falta de dados sobre eventos como o da Shenzhou-20 dificulta prever e planejar futuros incidentes. Ele lembra que, nas últimas duas décadas, várias missões de satélites comerciais foram afetadas por detritos, mas pouco se divulga sobre isso.

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