Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Explosão solar recorde lança partículas energéticas que podem atingir o solo terrestre

Explosão solar recorde lança partículas energéticas que podem atingir o solo terrestre

Nesta terça-feira (11), foi registrada a explosão solar mais violenta de 2025. Classificada como X5.2, a erupção lançou uma onda de energia tão forte que já influencia o campo magnético da Terra. O evento deve gerar tempestades geomagnéticas de intensidade entre G3 (forte) e G4 (severa), além de provocar auroras em regiões incomuns.

De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, a ejeção de massa coronal (CME) resultante viaja em altíssima velocidade e está prestes a se fundir com outras duas CMEs lançadas antes dela pela mesma mancha solar, formando uma chamada “CME canibal”. Quando esse tipo de fusão acontece, o impacto sobre o planeta se torna muito mais intenso, ampliando o risco de distúrbios em sistemas de comunicação, energia e satélites.

Além de plasma e campo magnético, a erupção liberou uma enxurrada de prótons altamente energéticos em direção à Terra. Essas partículas se movem quase à velocidade da luz e, em casos raros, como o que está previsto para as próximas horas, conseguem atravessar a atmosfera até alcançar o solo. “Este é um evento muito significativo”, explicou o professor Clive Dyer, do Centro Espacial de Surrey, no Reino Unido.

O fenômeno é conhecido como “Evento ao Nível do Solo” (GLE, na sigla em inglês) e ocorre apenas uma ou duas vezes por ciclo solar, que dura cerca de 11 anos. Segundo Dyer, o episódio atual é comparável ao de 13 de dezembro de 2006, considerado um dos mais fortes do século. Eventos desse porte costumam acontecer, em média, a cada 20 anos.

Durante o GLE de 2006, passageiros em voos próximos aos polos receberam doses de radiação cerca de 20% acima do normal. Algo semelhante pode estar ocorrendo agora, especialmente em rotas de alta altitude. Para Dyer, analisar casos como este ajuda a entender e se preparar para explosões ainda mais extremas, como a de 1956, que elevou em mil vezes a radiação a 12 mil metros de altitude.

Enquanto isso, no espaço, satélites vêm sendo atingidos por partículas solares, criando um efeito de “neve” nas câmeras. Essa interferência, visível nas imagens do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), uma colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), é um dos sinais mais claros da tempestade de radiação – um lembrete da força impressionante do Sol sobre a Terra.

Compartilhe