Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Humanos têm ‘sétimo sentido’ semelhante ao de aves, segundo estudo

Humanos têm 'sétimo sentido' semelhante ao de aves, segundo estudo

Seres humanos podem sentir objetos sem tocá-los, por meio de uma espécie de “sétimo sentido”. É o que revela uma pesquisa da Queen Mary University of London e do University College London, que analisou sistemas sensoriais de aves costeiras, como maçaricos e borrelhos. Os resultados fornecem evidências quantitativas de uma habilidade tátil até então desconhecida em humanos.

“É a primeira vez que o toque remoto é estudado em humanos, e isso muda nossa concepção do mundo perceptivo (o que é chamado de ‘campo receptivo’) em seres vivos”, afirmou Elisabetta Versace, professora sênior de Psicologia e líder do Laboratório Prepared Minds da Queen Mary, idealizadora dos experimentos com humanos.

As descobertas também oferecem parâmetros valiosos para o aprimoramento de tecnologias assistivas e sensores táteis em robôs. Ao utilizar a percepção humana como modelo, engenheiros podem projetar sistemas robóticos que integrem sensibilidade tátil semelhante à humana para aplicações práticas, como sondagem, escavação ou busca em ambientes com visão limitada.

“Essas informações podem orientar o desenvolvimento de robôs avançados capazes de realizar operações delicadas, como localizar artefatos arqueológicos sem danificá-los ou explorar terrenos arenosos ou granulares, como o solo marciano ou o fundo do oceano”, disse Zhengqi Chen, estudante de doutorado do Laboratório de Robótica Avançada da Queen Mary.

No teste inicial, participantes moviam os dedos suavemente na areia para localizar um cubo escondido antes de tocá-lo fisicamente. Surpreendentemente, os resultados revelaram uma habilidade comparável à observada em aves costeiras, apesar de os humanos não possuírem as estruturas especializadas do bico que possibilitam esse sentido nas aves. 

Os resultados mostram que as mãos humanas têm mais sensibilidade do que o esperado. Ao modelar os aspectos físicos do fenômeno, o estudo descobriu que as mãos humanas são notavelmente sensíveis, detectando a presença de objetos enterrados ao perceberem deslocamentos mínimos na areia ao redor deles. 

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