Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Maior cratera de impacto moderna é encontrada na China

Maior cratera de impacto moderna é encontrada na China

Uma equipe de cientistas chineses identificou a maior cratera de impacto meteorítico conhecida do período Holoceno (atual época geológica), localizada na província de Guangdong, sul da China. Batizada de cratera Jinlin – em referência à vila ribeirinha próxima –, a estrutura possui 900 metros de diâmetro, superando significativamente a anterior detentora do recorde, a cratera Macha (Rússia), com 300 metros.

A descoberta, publicada em 15 de outubro na revista Matter and Radiation at Extremes, altera profundamente a compreensão sobre a escala e frequência de impactos de objetos extraterrestres na Terra durante os últimos 11.700 anos. “Esta descoberta demonstra que a escala dos impactos de pequenos objetos extraterrestres no Holoceno é muito maior do que a registrada anteriormente”, afirmou o Dr. Ming Chen, pesquisador do Centro de Ciência e Tecnologia de Alta Pressão e autor principal do estudo.

Localizada em uma região montanhosa do noroeste de Guangdong, a cratera surpreendeu os pesquisadores por seu excepcional estado de preservação. A área possui clima monçônico subtropical com chuvas abundantes, alta umidade e temperaturas elevadas – condições que normalmente aceleram a erosão e apagam evidências de impactos antigos.

Até agora, apenas quatro crateras de impacto haviam sido confirmadas em toda a China, todas localizadas no árido nordeste do país. A descoberta no sul desafia o consenso sobre a preservação de estruturas de impacto em regiões tropicais.

A confirmação do impacto veio através da análise de amostras de granito da cratera, que continham quartzo com características de deformação planar – microestruturas que se formam exclusivamente sob pressões extremas de 10 a 35 gigapascais.

“Na Terra, a formação dessas estruturas no quartzo ocorre apenas pelas intensas ondas de choque de impactos de corpos celestes”, explicou Dr. Chen. “É um efeito que não pode ser reproduzido por nenhum processo geológico terrestre.”

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