Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Descoberta no México desafia o que sabíamos sobre primeiras cidades maias

Descoberta no México desafia o que sabíamos sobre primeiras cidades maias

Aguada Fénix, no sudeste do México, abriga a mais antiga e um dos maiores monumentos maias já identificados. A estrutura foi um projeto gigantesco erguido por comunidades sem reis, palácios ou hierarquias rígidas. Lá, arqueólogos encontraram pistas que podem mudar o que se sabe sobre os maias.

A pesquisa, publicada no periódico Science Advances, mostra que o sítio arqueológico, construído há mais de três mil anos, foi planejado como um cosmograma. Ou seja: um mapa simbólico do Universo, alinhado ao movimento do Sol e organizado em grandes eixos que moldavam a paisagem.

As descobertas desafiam a versão clássica sobre o surgimento das primeiras cidades mesoamericanas. Em vez de crescimento lento e centralizado, os arqueólogos apontam um “big bang” de construção coletiva, no qual milhares de pessoas cooperaram para erguer plataformas, corredores e canais em escala comparável (ou até superior) à de centros como Tikal e Teotihuacan, que só floresceriam quase mil anos depois.

As novas escavações confirmam que Aguada Fénix era muito mais do que um grande aterro. O platô principal, com quase 1,6 quilômetro de comprimento, articula eixos alinhados ao nascer do sol em 17 de outubro e 24 de fevereiro.

Separadas por 130 dias, essas datas são equivalentes à metade do calendário ritualístico mesoamericano, de 260 dias. O alinhamento reforça a interpretação de que o lugar servia como marco de observação astronômica e de reunião comunitária.

No centro do monumento, os arqueólogos identificaram uma fossa cruciforme como ponto focal do cosmograma. Ali estavam pigmentos minerais dispostos conforme as direções cardeais – azul (norte), verde (leste) e amarelo (sul) – formando o mais antigo registro conhecido desse simbolismo direcional na Mesoamérica. 

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