
Soluções climáticas focadas nos oceanos podem ajudar a reduzir em até 35% as emissões globais até 2050. A estimativa está no chamado “Pacote Azul” (blue package, em inglês) apresentado nesta terça-feira (18) pela enviada especial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) para Oceanos, Marinez Scherer, em Belém.
O roteiro alinha e impulsiona as “Iniciativas de Avanço Oceânico” em cinco setores de alto impacto. “Esses não são objetivos abstratos. São ações práticas, baseadas na ciência, que podem ser implementadas agora se agirmos juntos e com urgência”, defendeu a doutora em Ciências Marinhas e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Atualmente, 78% dos países membros da iniciativa Blue NDC Challenge incluem pelo menos uma referência explícita ao oceano em seus compromissos climáticos – um aumento de 39% em comparação com planos anteriores. Para a pesquisadora, o oceano assumiu o lugar que lhe cabe ao lado da Amazônia e da transição energética na COP30 – temas centrais no debate climático.
“Mas reconhecimento e metas não bastam. O que é necessário agora é vontade política e investimento para implementar o Pacote Azul. Devemos agir juntos em um Mutirão Azul – um movimento coletivo de governos, comunidades, inovadores e cidadãos trabalhando lado a lado pelo oceano que nos sustenta”, defendeu Scherer.
A pesquisadora acredita que o oceano é o aliado mais poderoso da humanidade na luta contra as mudanças climáticas, absorvendo o excesso de calor e dióxido de carbono. No entanto, estão sob enorme pressão – ondas de calor marinhas estão branqueando os recifes de coral, a acidificação está erodindo os ecossistemas, e a desoxigenação está espalhando zonas mortas pelos mares.
“Proteger e restaurar a saúde dos oceanos não é apenas uma prioridade ambiental, mas sim uma questão de sobrevivência e resiliência humana. Nações costeiras e insulares, povos indígenas e comunidades pesqueiras estão na linha de frente das mudanças climáticas e da deterioração da saúde dos oceanos. Suas vozes devem liderar e seu conhecimento deve guiar nossa resposta”, alertou a cientista.
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