Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Via Láctea: mapa “de dentro para fora” revela estruturas ocultas

Via Láctea: mapa “de dentro para fora” revela estruturas ocultas

A observação da Via Láctea sempre esbarrou em um limite conhecido pelos astrônomos: estamos dentro dela. Essa posição impede que tenhamos uma visão completa da estrutura da galáxia, o que dificulta a definição precisa de quantos braços espirais existem e como eles se organizam. Agora, um novo método de mapeamento promete reduzir essas incertezas ao analisar a galáxia de dentro para fora, a partir da composição química das estrelas.

O estudo, publicado em Astronomy & Astrophysics, combina dados do terceiro catálogo da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, com análises espectroscópicas do Observatório Europeu do Sul. Essa abordagem adiciona informações sobre abundâncias químicas ao mapa já produzido pela Gaia, cujos dados completos ainda estão passando por avaliação.

A equipe responsável investigou os “impressões químicas” das estrelas, identificando sua composição a partir da luz emitida. Em vez de observar apenas a posição ou densidade estelar, os pesquisadores analisaram elementos presentes nas estrelas para rastrear estruturas que até então permaneciam ocultas pela poeira cósmica do centro galáctico.

Com isso, foi possível examinar trechos dos braços espirais Scutum e Sagittarius, regiões voltadas para o centro da Via Láctea. O método revelou até um espinha (spur) que conecta esses dois braços — uma estrutura inédita, nunca registrada por técnicas tradicionais.

Em nota enviada ao IFLScience, o autor principal, Dr. Carlos Viscasillas Vázquez, da Universidade de Vilnius, comentou que “nuvens densas de poeira obscurecem nossa visão do centro galáctico e métodos tradicionais mostram apenas parte da estrutura”. O trabalho avaliou se a composição química poderia oferecer melhores respostas. “Não sabíamos se funcionaria com outro conjunto de dados, mas funcionou. Conseguimos ver os braços até em uma perspectiva vertical”, afirmou o pesquisador.

Segundo a equipe, pequenas diferenças nas abundâncias químicas deixaram mais claras as formas dos braços espirais. A pesquisadora Dr. Laura Magrini, do Observatório de Arcetri, na Itália, destacou que a nova técnica permitiu visualizar detalhes que permaneceriam ocultos: “As diferenças químicas fizeram os braços emergirem com clareza”.

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