Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Fóssil de ave com mais de 800 pedras na garganta intriga ciência

Fóssil de ave com mais de 800 pedras na garganta intriga ciência

Fósseis são mais do que apenas ossos antigos. Eles funcionam como cápsulas do tempo, que registram a vida e a morte de espécies antigas. No entanto, muitas vezes, os mistérios que essas peças guardam não são completamente entendidos pela ciência.

Foi o que aconteceu com uma recente descoberta que intrigou a comunidade paleontológica: uma nova espécie de ave foi encontrada com a garganta cheia de pedras. E ninguém sabe o motivo.

As pedras de moela (gastrólitos) são comuns em aves modernas e alguns répteis. Elas ajudam a triturar o alimento no sistema digestivo. No entanto, em aves fósseis próximas ao grupo da Chromeornis, esse registro é raro ou ausente.

No novo exemplar, a equipe contabilizou mais de 800 grânulos, alguns com densidade compatível com bolotas de argila.

O arranjo e a preservação sugerem que o material não foi depositado após a morte. Em vez disso, a massa parece ter ficado alojada na garganta, possivelmente levando ao sufocamento. Segundo O’Connor, a hipótese inicial era de uma moela comum deslocada, mas perdeu força à medida que o número, o tamanho e a distribuição das pedras foram medidas e comparadas com bases de dados de gastrólitos em aves.

Uma possibilidade levantada para explicar as pedras na garanta é doença: aves vivas, quando debilitadas, podem ingerir quantidades atípicas de material. Se a massa não avançou para o estômago e a ave tentou regurgitar, ela pode ter ficado presa no esôfago, obstruindo vias respiratórias.

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