
Cientistas descobriram vestígios de um cemitério medieval, grandes vasos de cerâmica e partes de uma construção de tijolos cozidos que confirmam a existência de uma antiga cidade no complexo submerso de Toru-Aygyr, um importante ponto da Rota da Seda. A expedição arqueológica subaquática internacional ocorreu nas águas noroeste do Lago Issyk-Kul, no Quirguistão.
“No início do século XV, em consequência de um terremoto devastador, a cidade foi submersa pelas águas do lago. Segundo nossa avaliação, na época do desastre, os moradores já haviam abandonado o assentamento”, explica Valery Kolchenko, pesquisador do Instituto de História, Arqueologia e Etnologia da Academia Nacional de Ciências da República Quirguiz, chefe da expedição do país anfitrião.
“A tragédia pode ser comparada à história de Pompeia, que não é tão conhecida do público em geral. Após o terremoto, a população da região mudou drasticamente e a rica civilização medieval sedentária deixou de existir. Os nômades tomaram seu lugar”, acrescenta. A missão também teve participação de especialistas da Sociedade Geográfica Russa (RGS) e do Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências (RAS).
Vale lembrar que a época da Rota da Seda começou no século I a.C. e floresceu até a era das Grandes Descobertas Geográficas (séculos XIV e XV). No século X, formou-se o Estado Caracânida na região onde foi realizada a expedição. Era uma dinastia turca.
As pessoas praticavam várias religiões: o paganismo tengrianismo, o budismo e o cristianismo nestoriano. A elite governante frequentemente se convertia ao islamismo durante seu domínio, mas essa religião só se difundiu na Ásia Central no século XIII.
“Antes disso, o islamismo era principalmente a religião da nobreza e da população envolvida em atividades econômicas ativas. Isso se deve ao fato de ser necessário prestar juramentos: geralmente havia mais confiança no comércio com correligionários”, disse Maksim Menshikov, chefe da expedição e funcionário do Instituto de Arqueologia da Academia Russa de Ciências. A população nômade continuou a seguir tradições pagãs ou a praticar formas sincréticas complexas de religião, onde o paganismo se entrelaçava com o islamismo.
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