
Há cerca de três bilhões de anos, uma estrela entrou na região dominada por dois buracos negros gigantescos e acabou destruída. Ainda hoje, é possível enxergar os fracos raios X deixados por aquele evento caótico, que pode ser o episódio mais distante já observado envolvendo dois buracos negros agindo sobre a mesma estrela.
A análise desse fenômeno foi conduzida por uma equipe internacional que acompanha a fonte há mais de duas décadas. Um artigo relatando a descoberta está disponível no servidor online de pré-impressão arXiv e já foi aceito para publicação pela revista The Innovation.
🔭 Mind-blowing cosmic discovery! XID 935, the faintest X-ray tidal disruption event (TDE) ever found, is rewriting how we understand supermassive black holes (SMBHs)! #Astronomy #CosmicDiscovery #BlackHoles #TDElink: https://t.co/TMZsNuw6yp pic.twitter.com/r130s0i0yx
A fonte, chamada XID 925, pode ser a erupção de raios X variável mais fraca já registrada. Ela foi detectada em 1999 durante o levantamento Deep Field South, do Observatório de Raios X Chandra, da NASA, conhecido por produzir as imagens mais profundas já obtidas nesse tipo de radiação.
Desde que surgiu nos dados, o XID 925 perdeu brilho de forma contínua. O que antes era um ponto relativamente intenso se transformou em uma fonte tênue, reduzida a apenas uma fração de sua luminosidade inicial. Esse comportamento é típico dos chamados eventos de ruptura de maré (TDEs), nos quais uma estrela é esticada (ou “espaguetificada”) e desmontada pela gravidade extrema de um buraco negro supermassivo.
Nesses eventos, o material arrancado da estrela forma um disco giratório e muito quente ao redor do buraco negro. Esse disco libera raios X que podem ser vistos a bilhões de anos-luz de distância. Com o tempo, porém, o gás é consumido e o brilho diminui, criando uma curva de luz de declínio lento, semelhante à que foi observada no XID 925.
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