
Um dos fósseis de hominíneos mais completos já encontrados pode não pertencer a nenhuma espécie conhecida, segundo um novo estudo publicado no American Journal of Biological Anthropology. O esqueleto StW 573, apelidado de Little Foot, ou Pé Pequeno, foi descoberto na África do Sul e, há décadas, desafia pesquisadores interessados em entender os primeiros capítulos da evolução humana.
Agora, uma nova análise sugere que o Pé Pequeno não se encaixa nem em Australopithecus africanus nem em Australopithecus prometheus, espécies associadas ao mesmo período e à mesma região. Para os autores do estudo, o conjunto de evidências aponta para um parente humano até então não identificado, o que adiciona mais complexidade ao já fragmentado quebra-cabeça da ancestralidade humana.
Hominíneos são os membros do grupo que reúne os humanos modernos (Homo sapiens) e seus ancestrais diretos extintos, como espécies do gênero Australopithecus, caracterizados principalmente pela locomoção bípede e por mudanças progressivas no crânio e na dentição.
Enquanto isso, hominídeos formam um grupo mais amplo, que inclui, além dos hominíneos, os grandes primatas atuais, como chimpanzés, gorilas e orangotangos, bem como seus ancestrais comuns.
A reavaliação liderada por Jesse Martin, da Universidade La Trobe, começou quando ele e seus estudantes decidiram examinar uma parte específica do crânio do Pé Pequeno. Esse trecho corresponde exatamente à região usada na descrição original de A. prometheus, feita em 1948.
Segundo Martin, foram identificadas três diferenças marcantes apenas nessa área posterior do crânio. A forma do crânio aproxima o Pé Pequeno de hominíneos muito mais antigos do que aqueles tradicionalmente classificados como A. africanus ou A. prometheus. Ao mesmo tempo, outras características do esqueleto indicam que ele não pode ser apenas um sobrevivente tardio de uma espécie mais primitiva.
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