Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Campo magnético da Terra “transporta” atmosfera até a Lua

Campo magnético da Terra "transporta" atmosfera até a Lua

Uma equipe da Universidade de Rochester, nos EUA, demonstrou que átomos e moléculas da atmosfera terrestre têm viajado até a Lua ao longo de bilhões de anos. 

Usando simulações computacionais, os pesquisadores modelaram como e quando partículas voláteis escapam da alta atmosfera da Terra e alcançam o satélite, mostrando que o campo magnético terrestre – longe de bloquear a fuga – cria “corredores” que canalizam esse material. Publicada na última quinta-feira (11) na revista Communications Earth & Environment, a descoberta ajuda a explicar por que amostras das missões Apollo exibem abundância de voláteis, como água e nitrogênio, e abre caminho para usos práticos em futuras bases lunares.

Desde a década de 1970, o excesso de substâncias voláteis em amostras de regolito trazidas pelas missões Apollo intrigava cientistas. Parte desses átomos e moléculas – como água, dióxido de carbono, hélio, argônio e, sobretudo, nitrogênio – poderia vir do vento solar, mas as quantidades observadas pediam outra explicação. 

Em 2005, uma hipótese da Universidade de Tóquio, no Japão, propôs que a própria Terra teria contribuído, com partículas escapando da alta atmosfera ao serem aceleradas por partículas energéticas. A ideia, no entanto, pressupunha que isso só ocorreu antes de o planeta desenvolver um campo magnético global robusto.

O novo trabalho, liderado pelo estudante de pós-graduação Shubhonkar Paramanick e pelo professor de astronomia Eric Blackman, revisita essa suposição. Em simulações que compararam dois cenários – a Terra primitiva, de campo magnético fraco e vento solar intenso, e a Terra atual, com campo magnético forte e vento solar mais suave – o resultado surpreendeu: o ambiente moderno se mostrou mais eficaz para transportar partículas rumo à Lua.

Nesse quadro, linhas do campo magnético terrestre funcionam como verdadeiras rotas de escape, conectando a alta atmosfera à vizinhança lunar. “Ao combinar dados de partículas preservadas no solo lunar com a modelagem computacional de como o vento solar interage com a atmosfera da Terra, podemos traçar a história da atmosfera terrestre e de seu campo magnético”, afirma Blackman.

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