Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Lula é flagrada usando camuflagem inédita a 4.100 metros de profundidade

Lula é flagrada usando camuflagem inédita a 4.100 metros de profundidade

Cientistas registraram pela primeira vez um comportamento inédito de lula em grandes profundidades do oceano, revelando novas pistas sobre estratégias extremas de camuflagem no ambiente abissal. As imagens foram captadas a 4.100 metros abaixo da superfície, no fundo do Oceano Pacífico, e mostram um cefalópode de espécie ainda não descrita adotando uma postura incomum: com a cabeça enterrada no sedimento e os tentáculos rígidos apontando para cima, semelhantes a hastes fincadas no solo marinho.

O flagrante foi feito por um submersível operado remotamente durante uma expedição científica do projeto SMARTEX, iniciativa dedicada a estudar os impactos da mineração em águas profundas. A observação surpreendeu os pesquisadores por se tratar do primeiro registro desse tipo de comportamento em uma lula de mar profundo, ampliando o entendimento sobre como esses animais interagem com um ambiente considerado, até recentemente, pouco diverso.

Segundo os cientistas, ainda não é possível afirmar com certeza a função exata da postura adotada pela lula. A principal hipótese é que o animal esteja utilizando o próprio sedimento como forma de camuflagem, misturando-se a elementos comuns do fundo oceânico, como hastes de esponjas ou tubos formados por vermes marinhos. Dessa forma, a lula poderia evitar a detecção por predadores em um ambiente onde a sobrevivência depende fortemente de estratégias furtivas.

Outra possibilidade levantada é que a camuflagem funcione como uma armadilha. Ao permanecer parcialmente enterrada, a lula poderia atrair pequenos crustáceos ou outros organismos curiosos, que se aproximariam dos tentáculos expostos e acabariam capturados. Esse tipo de estratégia não é totalmente inesperado entre cefalópodes, grupo conhecido por sua capacidade de adaptação, inteligência e uso sofisticado de disfarces.

Polvos e sépias, por exemplo, são famosos por mudar rapidamente de cor, textura e forma. Algumas lulas de oceano aberto também apresentam comportamentos de ocultação. Ainda assim, o ato de enterrar a cabeça no sedimento nunca havia sido documentado em cefalópodes de águas profundas.

Os autores do estudo afirmam que o comportamento observado combina diferentes estratégias biológicas já conhecidas, mas raramente vistas em conjunto nesse grupo de animais. Entre os principais pontos destacados pelos pesquisadores estão:

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