Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Webb encontra pistas de estrelas “dinossauros” que podem ter virado buracos negros gigantes

Webb encontra pistas de estrelas “dinossauros” que podem ter virado buracos negros gigantes

Um artigo publicado recentemente no periódico científico The Astrophysical Journal Letters relata indícios da presença de estrelas extremamente massivas no início do cosmos, apelidadas de “dinossauros” por terem sido astros gigantes do Universo primordial, hoje extintos. Observadas indiretamente com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, essas estrelas teriam surgido logo após o Big Bang e vivido por um período extremamente curto em termos cósmicos.

Assim como aqueles gigantescos animais pré-históricos, as estrelas descritas no estudo teriam sido enormes, raras e restritas a uma fase muito antiga da história do Universo. Os cientistas estimam que elas podiam alcançar massas entre mil e 10 mil vezes a do Sol. Valores tão elevados não são observados em estrelas atuais, o que reforça a ideia de que se tratava de uma população estelar única.

Apesar de terem desaparecido há bilhões de anos, essas estrelas teriam deixado vestígios duradouros. Em vez de fósseis físicos, como ocorre na Terra, seus rastros seriam buracos negros formados após o colapso desses objetos extremos.

A existência dessas estrelas pode ajudar a explicar um dos maiores mistérios da astronomia. Buracos negros supermassivos, com milhões de vezes a massa do Sol, já estavam presentes quando o Universo tinha menos de um bilhão de anos.

A principal evidência observacional vem de uma galáxia chamada GS 3073. Ela está localizada a cerca de 12,7 bilhões de anos-luz da Terra e é observada como era apenas 1,1 bilhão de anos após o Big Bang.

Ao analisar a luz dessa galáxia com o Webb, os pesquisadores identificaram uma composição química incomum. O destaque foi um desequilíbrio extremo entre nitrogênio e oxigênio no gás da galáxia. A razão entre esses dois elementos é muito maior do que a explicada por estrelas conhecidas. Nenhum modelo tradicional de evolução estelar consegue reproduzir esse padrão químico observado em GS 3073.

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