Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Esse homem ficou milionário usando matemática na loteria

Esse homem ficou milionário usando matemática na loteria

A história parece saída de um filme: um matemático formula um método infalível, vence o prêmio máximo da loteria repetidas vezes e vive como milionário em uma ilha paradisíaca. Para Stefan Mandel, porém, esta é a vida real. O economista e matemático, que ganhou na “mega-sena” 14 vezes em diferentes países nas décadas de 1980 e 1990, não contou com a sorte, mas com um algoritmo que explorou uma brecha matemática nas regras das loterias da época. No dia da Mega da Virada, conheça a história do homem que fez fortuna calculando probabilidades.

Nascido na Romênia, Mandel emigrou para a Austrália em 1970, onde começou a trabalhar em um sistema para “quebrar” a lógica dos sorteios. Sua grande sacada foi a “condensação combinatória”, um algoritmo que determinava todas as combinações possíveis de números para um determinado jogo. O plano era simples em teoria, mas complexo na execução: comprar todas as combinações possíveis quando o valor acumulado do prêmio fosse maior que o custo total dos bilhetes.

O método de Mandel consistia em três etapas principais, todas dependentes de uma regra que as loterias permitiam na época:

A estratégia deu certo pela primeira vez em grande estilo em 1987, na loteria estadual da Tasmânia, Austrália. Com o apoio de 2.500 investidores, sua equipe comprou a maior parte das 7 milhões de combinações possíveis. Mandel garantiu o prêmio de US$ 1,3 milhão (cerca de 27 milhões de dólares australianos na época) e ainda lucrou com centenas de acertos de premiações secundárias.

Embalado pelo sucesso, Mandel replicou o método internacionalmente. Seu feito mais famoso ocorreu em 1992, na loteria de Virginia, EUA, com um prêmio de US$ 19 milhões. No entanto, a operação quase falhou: em meio a mais de 7 milhões de bilhetes comprados por sua equipe, o bilhete vencedor foi temporariamente perdido, sendo recuperado apenas horas antes do prazo para reivindicar o prêmio.

Suas atividades repetidas atraíram a atenção de autoridades e promotores em vários países, que o investigaram por fraude. Mandel sempre defendeu que apenas explorava as probabilidades de forma legítima. Ele nunca foi condenado criminalmente, mas as loterias mundiais, uma a uma, mudaram suas regras para impedir sua estratégia, banindo a compra automatizada em massa e a impressão própria de bilhetes.

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