Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Como extinção em massa levou à ascensão dos peixes modernos

Como extinção em massa levou à ascensão dos peixes modernos

A primeira grande extinção em massa da Terra, ocorrida há cerca de 445 milhões de anos, não apenas eliminou a maior parte da vida marinha existente como também abriu caminho para um grupo que moldaria o futuro dos oceanos — e, indiretamente, da própria história evolutiva do planeta. Um novo estudo publicado na revista Science Advances mostra que foi esse evento extremo que permitiu a ascensão dos vertebrados com mandíbulas, hoje dominantes entre os animais.

Conhecida como Extinção em Massa do Ordoviciano Tardio, a crise eliminou aproximadamente 85% das espécies marinhas após mudanças bruscas no clima e na química dos oceanos. Segundo os pesquisadores, esse colapso ambiental criou condições únicas para que certos sobreviventes se diversificassem e ocupassem nichos deixados por espécies extintas.

Durante o período Ordoviciano, entre 486 e 443 milhões de anos atrás, a configuração do planeta era bastante diferente. O supercontinente Gondwana dominava o hemisfério sul, cercado por mares rasos e quentes, sem calotas polares. Esse ambiente favorecia uma biodiversidade marinha rica, formada por trilobitas, moluscos, escorpiões-do-mar gigantes, conodontes semelhantes a lampreias e outros organismos que hoje parecem saídos da ficção científica.

Nesse cenário também surgiam os primeiros ancestrais dos gnatostomados, os vertebrados dotados de mandíbulas. Embora ainda não fossem dominantes, eles coexistiam com uma grande variedade de peixes sem mandíbula e invertebrados marinhos.

Segundo Lauren Sallan, bióloga evolutiva e coautora do estudo, o registro fóssil deixa claro que houve uma ruptura marcante antes e depois da extinção. As causas exatas do evento ainda não são totalmente compreendidas, mas os efeitos sobre a vida marinha são evidentes.

A extinção ocorreu em duas fases distintas. Primeiro, o planeta passou rapidamente de um clima de efeito estufa para um estado glacial. Grandes geleiras se formaram sobre Gondwana, reduzindo o nível do mar e eliminando vastos habitats oceânicos rasos.

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