
O regime do Irã transformou o apagão digital imposto ao país num teste de força contra a internet via satélite de Elon Musk. Em meio a uma onda de protestos e repressão violenta, a rede Starlink virou alvo de interferências, bloqueios e técnicas de sabotagem.
A ofensiva colocou a SpaceX no centro de uma disputa geopolítica. Segundo a Reuters, a repressão no Irã representa um dos testes de segurança mais severos já enfrentados pela Starlink, usada como rota alternativa de comunicação quando governos desligam redes convencionais.
O bloqueio começou no início de janeiro e reduziu a conectividade do país a cerca de 1% do nível normal. Diferentemente de apagões anteriores, o regime não manteve nem mesmo sua intranet doméstica funcionando. O resultado é um isolamento quase absoluto de 85 milhões de pessoas, com impactos diretos sobre comunicação, serviços básicos e economia.
Para conter o fluxo de imagens e relatos sobre a repressão, o governo iraniano passou a atacar a internet via satélite. Especialistas relatam o uso de jammers (equipamentos que geram interferência na mesma frequência dos satélites) posicionados próximos a áreas urbanas e regiões de protesto. O objetivo é embaralhar ou derrubar o sinal da Starlink, que em crises anteriores permitiu que vídeos e denúncias chegassem ao exterior.
A Reuters aponta que o Irã também adotou técnicas de “spoofing”, com a transmissão de sinais falsos de GPS para confundir os terminais. Na prática, isso não elimina totalmente a conexão, mas a degrada a ponto de inviabilizar chamadas de vídeo ou transmissões em tempo real.
Mesmo banida oficialmente no país, a Starlink circula por rotas clandestinas. Ativistas estimam que dezenas de milhares de antenas tenham sido contrabandeadas, embora não se saiba quantas estão ativas. Organizações de direitos humanos afirmam que a maioria dos vídeos verificados sobre mortes e feridos nos protestos recentes veio de pessoas com acesso à rede via satélite.
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