Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Impacto colossal explica por que os lados da Lua são tão diferentes, diz estudo

Impacto colossal explica por que os lados da Lua são tão diferentes, diz estudo

Amostras do lado oculto da Lua trazidas na missão espacial chinesa Chang’e-6 revelam que um impacto colossal é o responsável pela diferença geológica entre as duas faces do satélite natural. O estudo sobre as amostras analisou isótopos de potássio e ferro para confirmar que a formação da bacia South Pole-Aitken (SPA) moldou o interior lunar de forma assimétrica.

Essa descoberta, publicada na revista científica PNAS, ajuda a explicar a dicotomia lunar, fenômeno no qual o lado voltado para a Terra possui planícies vulcânicas, enquanto o lado oposto é montanhoso e com crosta espessa. Os dados indicam que o impacto que criou a bacia SPA foi muito mais violento do que outros já registrados na Lua. Foi brutal o suficiente para alterar de maneira permanente a composição e a temperatura do manto lunar.

A análise química das rochas revelou uma perda significativa de elementos voláteis, como o potássio, impulsionada pelo calor extremo do impacto. Os pesquisadores identificaram um enriquecimento de isótopos pesados, processo que ocorre quando o calor intenso faz com que as versões mais leves dos elementos evaporem para o vácuo. Esse cenário sugere que a temperatura no local atingiu aproximadamente 2,5 mil graus Celsius, o suficiente para derreter parte do interior do satélite natural da Terra.

Diferente da bacia Procellarum, no lado visível, a bacia SPA surgiu por conta de um impacto que afetou a distribuição de elementos produtores de calor. Essa assimetria térmica após a colisão impediu que o lado oculto desenvolvesse o mesmo nível de atividade vulcânica observado na face voltada para a Terra. Os dados fornecem a evidência mais robusta até agora de que grandes impactos são o principal motor da evolução e da aparência atual da Lua.

Apesar dos resultados detalhados, os cientistas ressaltam que novas amostras de outras regiões são fundamentais para uma conclusão. A missão Chang’e-6 é um marco por ser a primeira a fornecer material de uma área tão remota. Graças a ela, deu para comparar diretamente as assinaturas isotópicas de ambos os lados da Lua pela primeira vez. Em suma, o estudo reforça como colisões em larga escala podem definir a história geológica de corpos planetários.

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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