Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Pesquisadores da China avançam na criação de um “horário lunar”

Pesquisadores da China avançam na criação de um “horário lunar”

Pesquisadores chineses anunciaram o desenvolvimento de um sistema capaz de calcular o tempo na Lua e sincronizá-lo com o tempo da Terra, levando em conta os efeitos da relatividade e da dilatação temporal. A ferramenta, chamada de “lunar time ephemeris”, surge em um momento em que o satélite natural passa a ser visto como um destino mais frequente para missões robóticas e, futuramente, tripuladas.

Atualmente, não existe um fuso horário oficial na Lua. Missões não tripuladas costumam usar o horário do país de origem da nave, enquanto os voos do programa Apollo adotavam o chamado Ground Elapsed Time, que conta o tempo a partir do lançamento. Com a perspectiva de mais veículos, robôs e estações operando ao mesmo tempo, a falta de um padrão comum pode se tornar um obstáculo para a coordenação e a segurança das operações.

O desafio não se limita a escolher um “horário lunar”. Como explica a teoria da relatividade, o tempo é influenciado pela gravidade e pela velocidade. Em ambientes com menor atração gravitacional, como a Lua, os segundos passam de forma ligeiramente diferente em comparação com a Terra.

Em um memorando de 2024, a assessora científica da Casa Branca, Arati Prabhakar, destacou que, para um observador na Lua, um relógio na Terra aparenta perder cerca de 58,7 microssegundos por dia terrestre, além de variações periódicas. Esse descompasso tem impacto direto em comunicações, navegação e em sistemas autônomos que dependem de sincronização precisa.

Segundo o documento, falhas nesse alinhamento podem gerar erros de posicionamento em atividades sensíveis, como o pouso de espaçonaves ou o acoplamento em órbita lunar, que exigem precisão maior do que os métodos atuais conseguem oferecer.

Enquanto os Estados Unidos avançam na ideia de criar um Coordinated Lunar Time (CLT), pesquisadores do Purple Mountain Observatory, em Nanjing, e da University of Science and Technology of China, em Hefei, desenvolveram um software que calcula o tempo lunar e o traduz para o padrão terrestre.

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