Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Mistério em Andrômeda: estrela massiva desapareceu na galáxia vizinha da Via Láctea

Mistério em Andrômeda: estrela massiva desapareceu na galáxia vizinha da Via Láctea

Duas equipes de astrônomos investigam um fenômeno incomum em Andrômeda (ou M31), a galáxia espiral mais próxima da Via Láctea. Uma estrela gigante simplesmente sumiu sem haver a explosão típica que acompanha o fim de estrelas massivas. Os estudos que analisam o caso estão disponíveis no repositório online de pré-impressão arXiv (aqui e aqui).

Em geral, as estrelas vivem por bilhões de anos e costumam manter um brilho estável. Algumas podem passar por mudanças temporárias, como escurecer, ficar mais brilhantes ou explodir em supernovas, que dão origem a buracos negros ou estrelas de nêutrons. O que não costuma acontecer é uma estrela massiva simplesmente desaparecer sem deixar qualquer vestígio. Mas o Universo é vasto o suficiente para surpreender. 

Em 2014, a estrela M31-2014-DS1 – uma supergigante amarela com massa cerca de 12 a 13 vezes maior que a do Sol – começou a apresentar um brilho mais intenso. Pouco tempo depois, entre 2014 e 2018, ela apagou dos registros observacionais, como se tivesse sumido.

Uma das explicações possíveis é que estrelas muito massivas possam colapsar diretamente em buracos negros sem produzir uma supernova. Nesse cenário, não haveria o clarão característico da explosão, apenas o desaparecimento súbito do astro. Evidências coletadas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, apoiam parcialmente essa hipótese.

A primeira equipe observa que a formação de buracos negros de massa estelar ainda é pouco compreendida por meio de observações diretas. Modelos teóricos sugerem caminhos distintos para esse processo. Em alguns casos, a explosão é bem-sucedida e expulsa as camadas externas da estrela. Em outros, a explosão “falha” e o astro implode quase por completo, gerando pouca ejeção de material.

Usando dados do JWST e do Observatório de Raios X Chandra, também da NASA, essa equipe encontrou uma fonte extremamente avermelhada no local onde a estrela deveria estar. O brilho atual corresponde a apenas 7% ou 8% da luminosidade original. Além disso, há poeira ao redor da região, ocupando uma área estimada entre 40 e 200 unidades astronômicas.

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