Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Telescópio James Webb encontra precursores da vida em galáxia próxima

Telescópio James Webb encontra precursores da vida em galáxia próxima

Usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), astrônomos identificaram um conjunto amplo de moléculas que podem atuar como precursores dos blocos fundamentais da vida em uma galáxia relativamente próxima. A descoberta foi feita em IRAS 07251–0248, uma galáxia infravermelha ultraluminosa, e foi divulgada em um estudo publicado na revista Nature nesta sexta-feira (6).

A pesquisa buscou entender como moléculas orgânicas complexas, baseadas em carbono, podem se formar em ambientes extremos do Universo. O núcleo dessa galáxia é densamente envolto por poeira e gás, o que bloqueia grande parte da luz visível. Como o James Webb observa o cosmos principalmente no infravermelho, ele conseguiu analisar regiões que permaneciam inacessíveis a outros telescópios.

A equipe utilizou os instrumentos Near InfraRed Spectrograph (NIRSpec) e Mid-Infrared Instrument (MIRI) para examinar a composição química de gases, poeira e gelo em IRAS 07251–0248. A análise revelou uma diversidade elevada de pequenas moléculas orgânicas, incluindo benzeno, metano, acetileno, diacetileno e triacetileno.

Entre os achados, chamou atenção a identificação do radical metil, uma molécula altamente reativa que nunca havia sido detectada fora da Via Láctea. Além disso, os pesquisadores encontraram materiais sólidos, como grãos ricos em carbono e gelo de água, indicando um ambiente químico complexo no núcleo galáctico.

Segundo Ismael García Bernete, pesquisador do Center for Astrobiology (CAB) e líder do estudo, as quantidades dessas moléculas superaram as previsões dos modelos teóricos atuais. Para ele, isso sugere a existência de uma fonte contínua de carbono alimentando essa rede química nos núcleos galácticos.

Os dados indicam que a química observada não pode ser explicada apenas por altas temperaturas ou pela turbulência do gás. A equipe propõe que raios cósmicos, partículas de alta energia, possam fragmentar moléculas maiores, como grãos de poeira ricos em carbono, liberando moléculas orgânicas menores.

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