
Um novo mapeamento geofísico realizado na Austrália revelou em detalhes uma anomalia magnética de grandes proporções sob o Território do Norte. O levantamento foi conduzido pela agência científica australiana CSIRO e indica a presença de estruturas geológicas incomuns enterradas no subsolo da Terra, capazes de oferecer pistas importantes sobre a formação e a evolução do continente.
Os dados foram obtidos a partir de um levantamento encomendado pelo governo do Território do Norte. Durante a operação, uma aeronave equipada com sensores de alta precisão sobrevoou a região em trajetórias paralelas, separadas por apenas 400 metros. Esse padrão de coleta permitiu registrar variações sutis no campo magnético terrestre com resolução muito superior à de levantamentos anteriores.
Após o voo, os pesquisadores usaram algoritmos computacionais avançados para gerar um mapa detalhado das variações magnéticas no norte da Austrália. O resultado mostrou uma área extensa onde o campo magnético da Terra se comporta de forma diferente do esperado. Isso sugere a existência de grandes estruturas subterrâneas ricas em minerais magnéticos.
Embora o campo magnético do planeta seja gerado pelo movimento de ferro e níquel fundidos no núcleo externo da Terra, ele não é homogêneo. Depósitos minerais, intrusões rochosas e outras estruturas profundas podem alterar de intensidade e direção dependendo do local.
Outras anomalias magnéticas já foram registradas em diferentes partes do mundo. Exemplos incluem a Anomalia Magnética de Kursk, na Rússia, associada à grandes concentração de minério de ferro no subsolo, e Anomalia de Bangui, na África Central, associada ao possível impacto de um meteorito.
No caso australiano, uma das hipóteses é que a anomalia esteja ligada a formações geológicas antigas, como a Formação Hatches Creek. Essa unidade paleoproterozoica reúne arenitos intercalados com camadas vulcânicas que se formaram há mais de 1,5 bilhão de anos e eram ricas em minerais magnéticos no momento de origem.
Entre para comentar.