Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

O que acontece depois que um cometa ‘desaparece’ do céu? Estudo tem uma teoria

O que acontece depois que um cometa 'desaparece' do céu? Estudo tem uma teoria

Cinco anos após sua fragmentação no sistema solar interno, o cometa C/2019 Y4 ATLAS ainda levanta dúvidas entre astrônomos. Embora observações recentes não tenham identificado vestígios claros do objeto, pesquisadores não descartam a possibilidade de que um fragmento com menos de meio quilômetro de diâmetro continue em órbita, afastando-se novamente em direção às regiões mais frias e distantes do Sistema Solar.

O C/2019 Y4 foi descoberto em dezembro de 2019 pelo Sistema de Alerta Final de Impacto Terrestre de Asteroides e rapidamente chamou a atenção da comunidade científica. No início de 2020, à medida que avançava rumo ao interior do Sistema Solar, o cometa aumentou de brilho e chegou a ser apontado como possível espetáculo visível a olho nu.

A expectativa era que ele passasse a cerca de 37,5 milhões de quilômetros do Sol – aproximadamente um quarto da distância entre a Terra e a estrela.

Mas o cenário mudou abruptamente no fim de abril de 2020, quando o núcleo do cometa começou a se despedaçar. Em poucas semanas, o objeto se fragmentou em dezenas de partes. Observações do Telescópio Espacial Hubble e de outros instrumentos revelaram quatro principais aglomerados de detritos. Posteriormente, um deles foi descartado como erro de dados e outro se dissipou em poucos dias, restando dois conjuntos identificados como fragmento A e fragmento B.

A última detecção confirmada do cometa ocorreu em 8 de junho de 2020, por meio de imagens da sonda STEREO, da NASA, poucos dias após o periélio – o ponto de maior aproximação do Sol. Na ocasião, os registros indicavam que o núcleo parecia completamente destruído.

O fragmento A provavelmente se transformou em uma nuvem de gás e poeira. Nos primeiros dias após a ruptura, estima-se que tenha perdido cerca de 70% de sua massa, resultado do processo de sublimação acelerado pelo calor solar. Já o fragmento B, que pouco antes do periélio tinha cerca de 1,2 quilômetro de largura, também apresentou sinais de desintegração significativa nas semanas seguintes.

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