Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar variadas formas de vida

Água subterrânea de bilhões de anos pode abrigar variadas formas de vida

Muito abaixo da superfície, a Terra abriga formas de vida que a ciência ainda está começando a desvendar. A maior parte desses organismos é microscópica, mas sua variedade genética pode ser tão grande quanto – ou até maior que – a dos seres vivos que habitam a superfície.

Alguns dos ambientes mais incomuns estão associados a águas extremamente antigas, presas há bilhões de anos em fraturas de rochas do escudo pré-cambriano. Essas formações geológicas surgiram nos primórdios do planeta, muito antes de os continentes assumirem o formato atual.

Em 2014, pesquisadores identificaram 19 minas no Canadá, na África do Sul e na Finlândia com água rica em hidrogênio retida na litosfera continental pré-cambriana. Em uma mina próxima à cidade canadense de Timmins, a quase três quilômetros de profundidade, foi encontrada a água líquida mais antiga já registrada, isolada entre 1,5 e 2,64 bilhões de anos.

Essas águas ancestrais podem servir de abrigo para a vida subterrânea. Experimentos mostram que reações químicas nas rochas produzem grandes quantidades de hidrogênio, um gás que funciona como fonte de energia para microrganismos. Esse processo independe da luz solar.

Um dos mecanismos é a decomposição radiolítica, em que a radiação natural quebra moléculas de água e libera hidrogênio. Outro é a serpentinização, reação química que altera minerais de rochas antigas e também gera esse gás. Ambos criam condições favoráveis para comunidades microbianas.

Como as rochas pré-cambrianas formam mais de 70% da crosta terrestre, esses ambientes podem ser mais comuns do que se imaginava. A geoquímica Barbara Sherwood Lollar descreve essas regiões como um “gigante adormecido”, capaz de fornecer energia para vastos ecossistemas subterrâneos.

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