Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço  

Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço  

Após 25 meses de atividade no espaço, a missão SpIRIT, da Austrália, foi oficialmente encerrada. O projeto marcou um avanço importante para o setor espacial do país. Liderado pela Universidade de Melbourne, em parceria com a Agência Espacial Italiana (ASI), o nanossatélite superou a expectativa inicial de operação, prevista para dois anos.

Pequeno, do tamanho de uma caixa de sapatos, e pesando 11,5 kg, o SpIRIT completou cerca de 16 mil voltas ao redor da Terra. Ao longo desse período, percorreu algo em torno de 690 milhões de quilômetros – o que é comparável à distância entre a Terra e Júpiter. O satélite enviou mais de 400 imagens ao planeta e registrou centenas de outras para pesquisas realizadas a bordo.

De acordo com um comunicado, a missão teve como principal objetivo testar tecnologias desenvolvidas na Austrália. O projeto demonstrou a eficiência de sistemas autônomos, comunicações avançadas e controle térmico em órbita. Além disso, contribuiu para fortalecer a indústria espacial local e ampliar a experiência técnica de pesquisadores e empresas do país.

Um dos destaques foi o instrumento HERMES, fornecido pela ASI, que permitiu a realização de estudos com raios X e raios gama, fenômenos associados a eventos extremos no universo, como a morte de estrelas massivas ou a fusão de estrelas de nêutrons. Apenas nos últimos meses de 2025, o satélite coletou mais de 180 horas de dados científicos.

Segundo a professora Michele Trenti, investigadora principal da missão, o projeto representa uma conquista relevante para a equipe e seus parceiros. Ela destaca o apoio das agências espaciais da Austrália e da Itália e defende que o legado do SpIRIT deve beneficiar futuras iniciativas científicas.

O chefe da Agência Espacial Australiana (ASA), Enrico Palermo, avaliou que o impacto da missão vai além dos resultados técnicos. Para ele, o investimento ajudou a consolidar a posição da Austrália como parceira confiável em projetos espaciais internacionais. Já o líder da ASI, Teodoro Valente, ressaltou o avanço tecnológico alcançado com o desempenho do instrumento HERMES.

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