
Espaçonaves capazes de se consertar sozinhas estão mais próximas da realidade. Uma tecnologia criada na Europa pode permitir que estruturas em órbita identifiquem danos e realizem reparos de forma automática, sem operações complexas de manutenção. A proposta é tornar as missões mais seguras, reduzir despesas e aumentar a durabilidade de foguetes e veículos espaciais.
A iniciativa é conduzida pelas suíças CompPair e CSEM, pela belga Com&Sens e conta com apoio da Agência Espacial Europeia (ESA). O trabalho integra o Projeto Cassandra, nome formado pela sigla em inglês Composite Autonomous SenSing AnD RepAir (Sensoriamento e Reparo Autônomos em Materiais Compósitos). Em termos simples, trata-se de um programa voltado ao desenvolvimento de materiais inteligentes capazes de detectar falhas estruturais e corrigi-las sozinhos.
O Projeto Cassandra integra sensores e um sistema de aquecimento a um material compósito de fibra de carbono, com o objetivo de detectar pequenas fissuras e corrigi-las antes que se tornem problemas graves.
Materiais compósitos são amplamente usados em espaçonaves por serem leves e resistentes. Eles combinam polímeros com fibras de carbono ou vidro, formando estruturas fortes e menos suscetíveis à corrosão. Ainda assim, impactos e variações extremas de temperatura podem causar microfissuras ao longo do tempo.
Para enfrentar esse desafio, a CompPair criou o HealTech, um compósito com agente de cura interno. Quando aquecido entre 100°C e 140°C, o material ativa esse agente, que se reorganiza e fecha as rachaduras. O aquecimento é feito por grades de alumínio impressas em 3D integradas à estrutura.
O sistema também conta com sensores de fibra óptica incorporados ao material. Eles monitoram continuamente a integridade da estrutura e identificam danos ainda em estágio inicial. Assim que detectam o problema, acionam o processo de reparo.
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