
Na terça-feira (3), aconteceu o primeiro dos dois eclipses lunares de 2026 (e único total, já que o próximo, em agosto, será parcial). Infelizmente, aqui no Brasil, a visibilidade foi mínima, restrita a pouquíssimos pontos do Norte e do Centro-Oeste, que acompanharam somente 10 minutos do início da fase parcial antes do amanhecer. Nas outras regiões, o fenômeno foi praticamente imperceptível.
O eclipse foi visto em sua totalidade (as fases penumbral, parcial e total) principalmente no Oceano Pacífico, abrangendo também o leste da Ásia (como Japão e China), a Austrália, a Nova Zelândia e a porção oeste da América do Norte (oeste do Canadá e dos EUA), locais onde foi possível ver a “Lua de Sangue” completa.
Entre os bilhões de espectadores do fenômeno, um astrônomo amador canadense identificado como Wah Wah registrou uma visão incomum da Lua durante o eclipse. Em vez de usar equipamentos tradicionais, ele decidiu observar o evento com uma câmera térmica. Segundo relatou ao site especializado em clima e meteorologia espacial Spaceweather.com, a diferença em relação às imagens comuns foi impressionante.
A fotografia obtida por Wah mostra a superfície lunar repleta de pontos brilhantes, como se fossem pequenas estrelas espalhadas pelo terreno. Ao todo, aparecem 37 áreas mais quentes, chamadas de “pontos quentes”. Entre os locais que mais se destacam estão as crateras Tycho, Plato e Aristarco, conhecidas por suas formações rochosas marcantes.
Registros desse tipo são raros. Observações térmicas de eclipses lunares já foram feitas poucas vezes desde o início da era espacial e, em geral, dependem de grandes telescópios de pesquisa. Na década de 1960, antes das missões espaciais visitarem a Lua, cientistas já usavam telescópios infravermelhos para estudar esses eventos. Um experimento realizado durante o eclipse total de 19 de dezembro de 1964 produziu mapas térmicos detalhados, revelando mais de mil pontos quentes associados a crateras rochosas.
A imagem recente foi captada em um comprimento de onda de cerca de 12 micrômetros. Nessa faixa do infravermelho, a Lua não aparece iluminada pela luz solar refletida, mas pelo calor que emite naturalmente. Para isso, Wah utilizou uma câmera térmica com resolução de 640 por 512 pixels acoplada a um telescópio newtoniano de 12 polegadas.
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