Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Mulheres ampliam vozes na ciência para combater a violência de gênero

Mulheres ampliam vozes na ciência para combater a violência de gênero

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o debate sobre igualdade de gênero ganha ainda mais visibilidade. A data, comemorada neste domingo (8), convida à reflexão não apenas sobre conquistas, mas também sobre os desafios que seguem presentes na vida das brasileiras.

Em Mato Grosso, estado que enfrenta altos índices de violência contra mulheres (com a maior taxa de feminicídio do país), essa discussão se faz ainda mais necessária. É nesse contexto que uma pesquisadora indígena da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) defende que valorizar a imagem das mulheres cientistas também é uma forma de enfrentar desigualdades históricas e ampliar o respeito dentro e fora da universidade.

Integrante do Projeto Museu-Lab de arte, ciência e tecnologia, desenvolvido no Instituto de Física da UFMT, Naine Terena, doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), atua na área de difusão e popularização da ciência. Nos últimos anos, suas pesquisas têm buscado ampliar o reconhecimento científico e tecnológico, com atenção especial ao papel das mulheres nesse campo. Para ela, dar visibilidade às trajetórias femininas é parte essencial desse processo.

Os dados sobre violência reforçam a urgência do debate. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado em julho de 2025, Mato Grosso liderou o ranking nacional de feminicídios em 2024. Dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso indicam que, de janeiro a outubro de 2025, foram registrados 46 casos no estado, um aumento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já o Painel PE – Feminicídio e Violência Doméstica – Sistema OMNI aponta cerca de 5 mil ações penais relacionadas ao tema entre janeiro e dezembro de 2025 nas comarcas mato-grossenses. Para a pesquisadora, o feminicídio representa a forma mais extrema de uma sequência de violências que se manifestam diariamente, inclusive em ambientes considerados espaços de formação e conhecimento, como as universidades.

“No contexto acadêmico, essa violência ocorre por questões diversas, entre elas a ideia de que as mulheres estão – ou deveriam estar – em áreas do conhecimento ou profissões associadas a papéis tradicionais de cuidado e com menor prestígio ou remuneração”, explica Terena. 

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