Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Estudo indica que viagens espaciais podem deslocar o cérebro de astronautas

Estudo indica que viagens espaciais podem deslocar o cérebro de astronautas

O ser humano tem marcado uma presença cada vez maior no espaço, mas ainda pouco se sabe sobre os reais efeitos dessas viagens sobre os nossos corpos. Um estudo publicado em janeiro deste ano no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), importante revista científica, apontou que as expedições ao espaço alteram a posição cerebral dos astronautas. A pesquisa foi conduzida por Rachael Seidler e Tianyi Wang, listados como principais autores do estudo.

A pesquisa da Universidade da Flórida, financiada pela NASA, fez uma ressonância magnética cerebral em 26 astronautas que passaram de algumas semanas a até um ano no espaço.

O procedimento realizado antes e depois das viagens tinha como objetivo identificar alguma alteração nos exames e compreender se o tempo de viagem também era um indicativo de risco para problemas neurológicos. Nos casos em que a duração da jornada foi maior, o cérebro chegou a mover 2 mm para trás, o que afetou áreas sensoriais, gerando enjoo e desorientação.

Na Terra, a gravidade exerce uma grande influência sobre os órgãos humanos, garantindo que cérebro e fluidos corporais se mantenham voltados ao centro do planeta. Já em condições de gravidade zero ou de microgravidade, esse movimento não ocorre, deixando que o cérebro “flutue” no crânio.

O tempo foi um dos principais fatores apontados pelo estudo. Os astronautas que passaram mais de seis meses no espaço (tempo padrão de operações na Estação Espacial Internacional) apresentaram uma movimentação cerebral maior, incluindo pequenas deformações neurológicas.

É da ordem de alguns milímetros, o que não parece muito, mas quando se fala em movimento cerebral, faz toda a diferença. Esse tipo de mudança é visível a olho nu.

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