Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Estudo esclarece mistério do campo magnético intenso na Lua

Estudo esclarece mistério do campo magnético intenso na Lua

Um artigo publicado recentemente na revista Nature Geoscience pode ajudar a esclarecer um antigo mistério sobre o passado da Lua. Cientistas tentam entender por que algumas rochas lunares apresentam sinais de um campo magnético muito forte, semelhante ou até maior que o da Terra atual.

Essas rochas foram trazidas ao nosso planeta pelas missões Apollo, realizadas entre 1969 e 1972. Ao analisá-las, pesquisadores descobriram que várias guardam registros de um campo magnético intenso que existia há cerca de 3,5 bilhões de anos. O fato chamou atenção porque a Lua é muito menor que a Terra.

Na Terra, o campo magnético é gerado pelo movimento do ferro líquido no núcleo do planeta, que funciona como um dínamo natural. Já a Lua possui menos energia interna e um núcleo bem menor. Por isso, durante muito tempo os cientistas consideraram difícil explicar como ela poderia ter produzido um campo magnético tão forte.

Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, propõe uma nova interpretação para esse fenômeno. Segundo o estudo, o magnetismo intenso registrado nas rochas pode ter sido causado por eventos curtos e raros de atividade magnética, e não por um campo forte que durou centenas de milhões de anos.

Em um comunicado, a geóloga planetária Claire Nichols explica que as amostras coletadas pelas missões Apollo podem não representar toda a história da Lua. De acordo com ela, essas rochas podem registrar eventos muito incomuns que duraram apenas alguns milhares de anos, mas que foram interpretados como se representassem um período muito mais longo.

Para investigar a questão, os cientistas analisaram novamente rochas conhecidas como basaltos dos Mares, formadas por antigas erupções de lava na superfície lunar. Eles compararam a composição química dessas rochas com o nível de magnetização presente nelas, que indica a intensidade do campo magnético existente quando se formaram.

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