Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Fóssil de preguiça-gigante de 400 mil anos é encontrado na Argentina

Fóssil de preguiça-gigante de 400 mil anos é encontrado na Argentina

Uma descoberta surpreendente no litoral da Argentina revelou um fóssil raro de preguiça-gigante pré-histórica. O achado se deu em uma falésia próxima a Santa Clara del Mar, onde parte de um fêmur ficou exposta após a erosão. Datado de cerca de 400 mil anos, o osso está incrivelmente bem preservado e oferece novas pistas sobre esses antigos mamíferos.

O material foi analisado por paleontólogos do Museu Municipal de Ciências Naturais Lorenzo Scaglia, que confirmaram se tratar de uma preguiça-gigante. O fêmur mede cerca de 79 centímetros e apresenta marcas claras de inserção muscular – detalhes que raramente resistem ao tempo, especialmente em áreas costeiras.

Esse nível de conservação é importante porque o fêmur é um dos principais ossos responsáveis por sustentar o peso do corpo. Sua estrutura ajuda os cientistas a entender como o animal se movia, se equilibrava e se posicionava. As marcas visíveis indicam onde os músculos se conectavam, permitindo reconstruções mais precisas da anatomia.

A coloração alaranjada do fóssil também chama atenção. Ela resulta de solos ricos em ferro, que podem ajudar a preservar os ossos ao reduzir os efeitos da exposição ao ar, à água salgada e às ondas. Nesse caso, o ambiente contribuiu para manter detalhes finos que normalmente se perderiam com o tempo.

Denominada Megatherium americanum, a espécie era um dos maiores mamíferos da Era do Gelo na América do Sul, podendo chegar a quase seis metros de comprimento e pesar várias toneladas. Quando se erguia, provavelmente distribuía o peso entre os membros traseiros, o quadril e a cauda para alcançar alimentos mais altos.

Esses animais eram herbívoros e usavam suas grandes garras dianteiras para puxar galhos e folhas. Estudos indicam que tinham uma alimentação seletiva, baseada em partes mais macias das plantas. Seus dentes cresciam continuamente, o que ajudava a lidar com alimentos mais duros ou com areia.

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